A natureza que nos rodeia, da que somos parte e da que dependemos, oferece-nos uma série de recursos que possibilitam a existência do homem sobre a terra. Estes recursos são do início de nossa existência como espécie ou como pessoa, elementos necessários para a vida e o desenvolvimento. Com estes recursos nos construímos, desenvolvemo-nos e evoluímos, protegemo-nos… .Utilizamos alimentos, minerais, líquidos e outros elementos precisos…, mas também usamos parte destes recursos como elementos medicinais de onde extraiu-se remédios necessários para a recuperação da saúde.
A classificação mais simples dos medicamentos é aquela que o faz em relação com sua procedência. Os medicamentos podem proceder do reino animal, vegetal, mineral ou podem ser artificiais (de síntese química em laboratório).
Os elementos provenientes dos minerais, vegetais ou do reino animal podem ser usados como medicamentos em formas cruas, quer dizer, sem ter sido submetidas a nenhum processo de elaboração e algumas vezes estes elementos são submetidos a algum processo de elaboração que os transformam, mantendo ou potencializando sua ação terapêutica ou simplesmente seu modo de aplicação.
Das culturas mais antigas se têm referências do uso de plantas medicinais. Tanto na cultura babilônica com o Código do Hammurabi (2000 a.C.) como entre os egípcios no Papiro do Ebers (1550 a.C.) empregam-se como fármacos o ópio, o sulfato de cobre, o regaliz…, etc.
A recopilação de todos os conhecimentos da farmácia natural se desenvolve com o Hipócrates, Dioscórides, Galeno e muitos outros.
Igualmente as culturas orientais vieram utilizando historicamente remédios farmacológicos extraídos da natureza. Kuang Ti, o estudo mais antigo sobre medicina, escrito 20 séculos a.C., refere às indicações especificas dos vegetais. Igualmente Li Che Ten em seu Peng T’Sao, descreve a 2500 anos a.C. mais de 8000 receitas e quase 1100 vegetais. Assim mesmo apareceram verdadeiros estudos sobre o tema como o Shang-Hão Seg, escrito pelo Zhang Zhong-jing.
O Ayurveda, a medicina da Índia, em seu Charaka Samhita proclama nos finais do primeiro milênio a.C. que toda substância pode ter valor medicinal, só é questão de saber utilizá-la. Eles usavam, por exemplo, a Rauwolfia serpentina para a hipertensão arterial entre outros. O ayurveda tem sua base terapêutica em vegetais e minerais
A FITOTERAPIA, quer dizer, o uso dos elementos vegetais para melhorar o estado de saúde, é uma conseqüência lógica para uma espécie, como a humana, que utiliza os vegetais para alimentar-se e, portanto adquire, pela própria experiência, as conseqüências do uso dos diferentes elementos que de maneira natural encontra em seu ambiente. É evidente que daquela utilização, teve que sair de maneira imediata o conhecimento das plantas como alimento, medicamento ou tóxico, conhecimento que veio a facilitar a sobrevivência da espécie.
Entretanto a fitoterapia não fica circunscrita a essa praxe cotidiana, nada desdenhável, da experiência de cada povo e seu meio. O estudo farmacológico, em laboratório e pela clínica, de cada planta, dá a possibilidade de definir os componentes ativos que possui indicações, posologia, interações com outras moléculas, etc. Deste ponto de vista a fitoterapia é uma verdadeira farmacologia em que produtos químicos mostram sua atividade frente a enfermidades, ao igual a qualquer molécula sintetizada em laboratório, mas com a vantagem de ser uma molécula natural, portanto “equilibrada”. É assim que se pode encontrar a fitoterapia em modos de administração diferentes segundo sua absorção e as particularidades dos elementos ativos, inclusive isolando da planta e administrando a molécula ativa de maneira mais precisa em doses e horários convenientes.
São diferentes os princípios ativos que cada planta contém e também existe diferenças entre esses princípios em cada uma das partes da planta, sendo portanto necessárias a ingestão especifica de raiz, caule, folhas, flores, frutos ou sementes, ou o conjunto da planta
As dissoluções em diferentes meios, os pós vegetais, a planta fresca ou seca, a destilação (seja de azeites essenciais, em álcool destilado ou em águas destiladas) e extratos, não são a não ser formas de conservar as moléculas ativas que logo serão administradas como gotas, cápsulas, infusões, supositórios, inalações, pomadas, etc. segundo critério e plano terapêutico.
Será o modo de utilizar a fitoterapia no cuidado da saúde, no respeito da natureza dos processos defensivos da própria pessoa, o que faz da fitoterapia um recurso da Medicina Natural, ou um meio alheio a essa praxe e só um recurso farmacológico a mais.
Os DERIVADOS DE ANIMAIS foram se utilizando em pó de órgãos, ou na maioria das vezes, substâncias derivadas deles, como no caso dos produtos hormonais. A medicina homeopática os utiliza na organoterapia.
Os ELEMENTOS MINERAIS e seus compostos químicos foram utilizados com profusão desde épocas remotas. O sulfato de cobre, o enxofre, o arsênico…, eram utilizados pelos egípcios, Os árabes utilizavam o ouro e a pomada de mercúrio e Paracelso utilizava elementos como o ferro, o antimônio ou o mercúrio como tratamento para a sífilis. Na realidade hoje conhecemos detalhes pela farmacologia moderna como da ação proteolítica e germicida dos metais pesados como mercúrio, prata ou cobre. O Ayurveda utiliza também multidões de minerais como a prata, o ouro, a mica ou, sobre tudo, o mercúrio.
Todas as culturas vieram abastecendo-se da FARMÁCIA NATURAL para tratar suas enfermidades. É a partir do século XIX, depois da síntese de alguns princípios ativos provenientes das plantas (a primeira foi à morfina do ópio) quando se inicia o rápido desenvolvimento da síntese de princípios ativos, inicialmente das plantas que vinham utilizando-se e que tinham ação farmacológica, derivando logo para a transformação e o desenho químico, iniciando uma etapa de esquecimento quando não desdém da FARMÁCIA NATURAL.
Hoje o homem volta sua visão aos elementos naturais, tanto na terra como no mar, na busca de respostas a enfermidades como o câncer ou a SIDA.
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